o tempo não pára...

Sexta-feira, Janeiro 26, 2007

Sátira aos homens quando estão com gripe

António Lobo Antunes

Pachos na testa, terço na mão
Uma botija, chá de limão
Zaragatoas, vinho com mel
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher, ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela
Cala os miúdos, fecha a janela
Não quero canja, nem a salada, ai Lurdes, Lurdes, não vales nada
Se tu sonhasses como me sinto, já vejo a morte nunca te minto
Já vejo o inferno, chamas, diabos, anjos estranhos, cornos e rabos
Vejo demónios nas suas danças, tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira, põe-me a Santinha à cabeceira
Compõe-me a colcha, fala ao prior, pousa o Jesus no cobertor.
Chama o doutor, passa a chamada, ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisanas e pão de ló, não te levantes que fico só,
Aqui sózinho a apodrecer, ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

Sexta-feira, Janeiro 12, 2007

Aviso

Em dia de tempestades e trovoadas, o local mais seguro é perto do chefe.



Não há raio que o parta!!!